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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Desafio do jornalismo móvel

A mobilidade permitiu que um só aparelho celular dê condições para o jornalista editar imagens e ter acesso a rede de alta velocidade com grande capacidade de transmissão e navegação da internet, com velocidade para upload e download. Mas, ao mesmo tempo em que esse dispositivo facilitou a rapidez na apuração do jornalista, seu suporte ainda apresenta dificuldades a serem enfrentadas devido ao pouco espaço da tela e à navegação não convencional. O questionamento que o autor coloca é como adaptar as aplicações Web 2.0, pensada para computadores com 1024X768 pixels de resolução padrão, mouse e teclado, para um celular com 240 pixels de largura (ou menos de 17).


Esse é o maior desafio para as interfaces gráficas. O jornalista ter as mesmas facilidades de interface que o computador tradiconal possui e o leitor ter à disposição um conteúdo de qualidade, assim como é disponibilizado na tela do computador.

Claudia Mebs e Rosielle Machado

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para Michael, com amor

"Puta que pariu, ele morreu!". Que atire a primeira pedra quem nunca abriu um site de notícias, olhou a manchete e desabafou com a perda do ídolo querido. O New York Times lembrou desses leitores na morte do popstar Michael Jackson e deu a eles a chance de desabafar e mandar mensagens de apoio e paixão ao mestre do Moonwalking. O especial multimídia Michael Jackson’s Legacy: Readers React contém textos de fãs de Jackson, divididos por continentes.

O site do NYT tem um sistema publicador de conteúdo onde os usuários podem mandar comentários sobre o fato. Além dos dados pessoais, o internauta manda cidade e país onde está. Uma informação trivial, mas que se torna essencial quando se vê a capa do especial.


Abaixo de cada continente, o número de comentários feitos por usuários de lá. Ao clicar no continente, você navega pelos microtextos num ambiente em 3D.


Os leitores se identificam com assuntos de interesse - principalmente quando falamos de ídolos. Além da estrutura do intermídia, com todos os recursos multimidiáticos possíveis na internet, a interatividade é essencial na produção ciberjornalística.

O leitor entristecido e apaixonado por Jacko encontrou seu espaço. Afinal, na memória do público, o "Rei" do Pop continua vivo.


Diego Cardoso e Bárbara Lino

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Flash journalism: a possibilidade do multimidialidade, interatividade e integração entre linguagens

Desde o começo, a internet mostrou possibilidades de criar-se um novo tipo de narrativa jornalística. Esse modelo incipiente, era baseado apenas em imagens e hiperlinks. Mas o que MCADAMS (2005) mostra em A new form of storytelling é a evolução proporcionada pelo software Flash.

O Flash é o único que possibilita a integração entre as mídias existentes: o vídeo, representando a linguagem televisiva; o texto e fotos do impresso; o áudio como linguagem própria do rádio, etc. A partir disso abrem-se duas vertentes possíveis. A justaposição, conceito mais simples e utilizado, baseado apenas na colocação de várias mídias diferentes sem integração entre si.

Por outro lado, há a integração propriamente dita, na qual se misturam essas mídias, adaptando-as para melhor se relacionarem umas com as outras. A integração transforma várias dessas linguagens em um único conteúdo, composto de várias formas.

A partir dessa integração, surge um novo discurso narrativo. Antes eram só dois: o conteúdo em si e a sua forma. Agora, segundo LIESTOL (1997), levando em conta a interatividade do usuário (através do clique do mouse), deve-se pensar em possibilidades diversas desse conteúdo ser lido. Um discurso não-linear, que toma forma na medida em que o leitor faz suas decisões de acessar o conteúdo.

O site NYT é um exemplo claro de desenvolvimento multimidiático e de integração entre diversas narrativas jornalísticas. Um estudo de caso feito a partir do site mostra três conceitos principais os quais ele aborda: a transformação de dados em informação visual, ou seja, há uma intensa preocupação na disposição do conteúdo e não só simplesmente na sua apresentação tradicional; a infografia como ferramenta de análise da realidade; e, por fim, a incorporação de ferramentas interativas que permitem a personalização do conteúdo pelo usuário.

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Vídeo que mostra futuro possível da convergência e interação com o internauta:


Tomás Petersen, Erich Casagrande, Thiago Verney e Débora Puel de Oliveira

Integração ou justaposição?

Apesar de no jornalismo online existir a possibilidade de integrar diferentes mídias em um mesmo portal, de acordo com o texto “Narrativas webjornalísticas em multimídia: breve estudo da cobertura do NYTimes.com na morte de Michael Jackson”, de Raquel Longhi, o que acontece é a simples justaposição dessas linguagens.

O portal G1 é um exemplo de como essas mídias aparecem juntas, porém sem um rearranjo em suas linguagens. Não há um complemento das informações entre as mídias, além delas não serem pensadas para o meio online.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/04/com-barracas-e-panelas-sem-teto-ocupam-regiao-proxima-prefeitura.html

No exemplo acima, o texto que poderia ser um complemento do vídeo, ou vice-versa, é uma simples transcrição do mesmo. Da mesma forma, o vídeo é feito, originalmente, para a televisão e por isso não é pensado para cumprir uma das funções da web, que é integrar diferentes linguagens.

Os especiais multimídia são um exemplo de jornalismo online que exercem esse rearranjo de informações. O software utilizado é normalmente o Flash, que possibilita uma maior interação entre vídeo, texto, fotos e áudio.

No especial “Em la frontera del futuro”, do grupo Clarín, a integração das mídias pode ser vista na seção “Miradas”, em que clicando em cada personagem, inicia-se o vídeo com o depoimento de cada um.

Em relação a interatividade, a direção de comunicação do especial pode ser considerada de uma via, exceto pela possibilidade do leitor fazer comentários, na seção “Opine”. O especial pode ser acessado a qualquer momento e por isso existe flexibilidade de tempo. Quanto ao nível de controle, é o emissor quem define o conteúdo a ser disponibilizado, porém o receptor pode escolher quais informações terá acesso.

Todo o conteúdo do especial dá ao leitor uma perspectiva do que acontecerá em 25 anos. Assim, trata-se de um conteúdo informativo, sem colaboração do receptor.

Claudia Mebs, Rosielle Machado

O Flash na nova linguagem jornalística

O Flash contribuiu para o surgimento de uma nova linguagem, específica da web, constituída por uma combinação de linguagens de meios distintos, como a da televisão, do rádio e do meio impresso.Essa fusão permitiu a criação de uma nova forma de narrativa, inovadora no jornalismo digital. Os especiais multimídias são um exemplo dessa nova combinação de meios, reconfigurando e integrando as mídias tradicionais, criando um novo meio, a intermídia.


No início eram apenas links que ligavam uma página a outra e, consequentemente uma informação a outra. Com o Flash esta ligação foi aperfeiçoada e passou a ter acesso a um pacote de histórias, onde estão interligados áudio, vídeo, infográficos, imagens, etc, aprimorando o conteúdo. Um pacote multimídia funciona como uma peça única, disponibilizando todos os seus elementos (vídeos, mapas, galerias de fotos ou textos) em uma mesma interface. Em outros modelos na web, as informações são apenas justapostas, sem uma integração entres as linguagens, que fazem sentido separadamente.

Os especiais multimídias do Clarín são um bom exemplo desta nova forma de narrativa jornalística. Eles aliam um trabalho de apuração de qualidade com as possibilidades que o Flash e as novas tecnologias propiciam. O especial Narcoguerra mostra os conflitos entre traficantes no México com profundidade, sem que a instantaneidade do meio influencie na qualidade do conteúdo.

O especial Narcogguerra, de acordo com Downes e Mcmillan, segue as seis dimensões da interatividade, propondo uma direção da comunicação em duas vias, uma flexibilidade do tempo assincrônica, uma telepresença em lugares em que o usuário não está fisicamente, um nível de controle maior sobre o conteúdo pelo receptor e a possibilidade de customizar a navegação de acordo com suas necessidades.

Berenice dos Santos, Daniela Bidone e Claudia Xavier

Flash journalism - alternativa de interatividade e multimidialidade

O especial multimídia "Brasil petrolero - O país mais grande do mundo", criado pelo Clarín em 2008, é um exemplo de tendência do flash journalism. O material é constituído de vídeos, que foram gravados especialmente para este produto e não reaproveitados de outras mídias. A organização em Flash permite que todo o conteúdo seja acessado na tela do especial, favorecendo o acesso.
Partindo dos conceitos propostos no texto de Raquel Longhi, "Narrativas webjornalísticas em multimídia: breve estudo da cobertura do N.Y.Times.com na morte de Michael Jackson", de semiótica sincrética, superposição e justaposição, o especial do Clarín é um exemplo da integração harmônica entre elementos em vídeo e texto, dando origem a um produto final único. "Brasil Petrolero" é, a nosso ver, uma amostra da superposição a que remete Longhi.

Já sob o prisma das seis dimensões da interatividade para Mindy McAdams em "A new form of storytelling", é possível perceber que a direção da comunicação no especial é majoritariamente unilateral, controlada basicamente pelo emissor. Ao usuário, além da opção de traçar seu caminho de leitura, é reservado apenas a participação através do envio de mensagens eletrônicas, sem espaço para publicização das mesmas. Quanto à flexibilidade do tempo, o conteúdo é assincrônico, podendo ser visualizado a qualquer tempo, estando disponível mesmo agora, dois anos após sua postagem inicial. O especial não permite ao usuário customização do material publicado e tem como propósito informar a respeito do tema.

Texto: Diego Vieira, Jéssica Camargo

Justaposição, intergração e dimensões de interatividade no Clarín.com

Para analisar os conceitos de Justaposição e Integração, propostos por Ramón Salaverría, e citados no texto Narrativas webjornalísticas em multimídia: breve estudo da cobertura do NYT.com na morte de Michael Jackson, de Raquel Longhi, escolhemos o especial multimídia Ay Mexico lindo la narco guerra, do Clarín.com. O especial é dividido em três seções, uma com vídeos, outra com infográficos, e a última com uma galeria de fotos. Cada seção pode ser vista separadamente, porém todas elas foram criadas especialmente para a internet. Os infográficos são animados e trazem informação de maneira interessante, e é percebida a Integração entre vídeo, fotos e o áudio (música e narração do jornalista). Todas as páginas são acompanhadas por um som ambiente. Uma falha detectada foi a ausência de um slide show na apresentação das fotos da galeria, o que tornaria a navegação mais prática e envolvente.
Com o mesmo especial, analisamos as dimensões da interatividade propostas por Downes e McMillan:
Identificamos que a direção da comunicação é uma via única, parte somente do emissor para o receptor, sem espaço para participação ou resposta do deste. O nível de controle do internauta é caracterizado pela autonomia na escolha do conteúdo que deseja ver, ele pode traçar o caminho de navegação no especial, sendo possível passar de uma seção para outra a qualquer momento. O propósito perceptível da comunicação do especial é persuadir o internauta de que o narcotráfico no México é violento e traz grandes consequências para o país. A imagem da capa e a música ao fundo já mostram esta mensagem. O especial também é muito informativo por trazer muitos dados, inclusive sobre os tipos de drogas consumidas no país.

Nayara D'Alama e Suélen Ramos